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"Globalização 3.0”, significa a passagem de um mundo pequeno para um mundo de tamanho reduzido. O termo foi cunhado por Thomas Friedman, colunista do jornal The New York Times galardoado por três vezes com o Prémio Pulitzer e autor do best-seller O Mundo É Plano (onde a EXAME se inspirou para criar umas das secções desta revista).
A expressão é nova, mas a tendência já foi diagnosticada há muito tempo. Hoje, é cada vez mais clara a ausência de barreiras na procura de informação e na forma de fazer negócios. Basta um computador pessoal ou um simples telemóvel com ligação à internet para, a partir de qualquer lugar, a qualquer hora, se fechar um negócio em meros segundos. Mas se para muitas indústrias a globalização ainda está a dar os primeiros passos, para as grandes empresas de distribuição de bens de consumo essa realidade há muito que deixou de ser escolha, mas, sim, uma necessidade e, sobretudo, uma gigantesca oportunidade de negócio.
A cadeia de supermercados norte-americana Wal-Mart é o exemplo mais claro dos efeitos da globalização empresarial: apesar de estar sediada no discreto estado do Arkansas, nos Estados Unidos, a Wal-Mart opera em 16 países, tem quase 9 mil lojas, sob 55 marcas diferentes, onde trabalham mais de 2,1 milhões de pessoas que vendem, anualmente, mais de 555 mil milhões de dólares. A globalização fez da Wal-Mart não só a maior retalhista do planeta como também o maior empregador mundial, que todos os anos gera para os seus accionistas lucros superiores a 15 mil milhões de dólares. No nosso planeta existem muito poucas empresas com esta capacidade de gerar riqueza tal como prova a famosa listagem da revista americana Fortune, segundo a qual a Wal-Mart é a maior empresa do mundo. A proeza é ainda maior se atendermos que no top ten mundial estão seis petrolíferas, uma empresa chinesa de energia e mais duas japonesas, sendo a Wal-Mart e única representante do sector da distribuição.
Também em 2010, 80% das 250 empresas analisadas apresentaram um crescimento das suas vendas, que compara com menos de dois terços das companhias que revelaram um aumento das vendas no ano anterior. Esta evolução positiva é explicada pelos especialistas da Deloitte e da Stores Media como tendo sido resultado “da emersão dos consumidores da depressão”, e também pelo crescimento da classe média nos países emergentes, que tem trazido para o mercado uma enorme onda de novos consumidores.
Não é por acaso que mais de 23% das vendas das 250 maiores retalhistas mundiais, maioritariamente localizadas na Europa e nos Estados Unidos, são já gerados além-fronteiras. E também não é coincidência que nos últimos anos as retalhistas que têm apresentado maiores índices de crescimento têm estado localizadas em países emergentes. Aliás, a Deloitte e a Stores Media referem que 19 das 50 empresas de distribuição de bens que mais cresceram em 2010 estavam localizadas em países em vias de desenvolvimento. Neste leque encontravam-se: cinco retalhistas chinesas, quatro latino-americanas, três mexicanas e três sul-africanas, duas turcas, e ainda uma russa e outra croata.
As retalhistas europeias são as que mais têm apostado nesta mudança de paradigma. De acordo com o documento da Deloitte e da Stores Media, as empresas francesas e alemãs, países com grandes tradições no sector e onde pontificam colossos como o Carrefour, Casino e Auchan (do lado francês) e o Metro, Aldi e Lidl (do lado alemão) foram não só as que mais vendas realizaram em 2010, ao apresentarem receitas de 28,9 mil milhões e 23 mil milhões de dólares, respectivamente, como as que mais fazem depender o sucesso das suas operações da internacionalização, provindo mais de 40% das suas vendas de mercados internacionais.
De fora desta aposta internacional das grandes multinacionais do retalho tem estado África, o segundo continente com maior densidade populacional, onde residem 995 milhões de potenciais consumidores, cerca de 15% da população mundial. Quem agradece esta decisão são os competidores locais, que têm sabido captar as potencialidades do seu continente; mas sobretudo as grandes cadeias de distribuição sul-africanas, como são o caso do grupo SPAR, que entre 2005 e 2010 registou um crescimento anual das vendas de 20,7%, do Shoprite (presente em Angola) e do Woolworths, que neste período contabilizaram um aumento anual das vendas de 16,7% e 12,4%, respectivamente.
Todavia, é cada vez mais notória a mudança do foco e da estratégia de internacionalização dos “tubarões” do retalho para África, em resultado de uma estagnação dos níveis de consumo nos seus mercados domésticos e das imensas oportunidades de negócio ainda por explorar abaixo do deserto do Sara.
É isso que poderá acontecer em breve com as cadeias francesas Carrefour e Auchan, que deverão expandir-se para países do Norte de África e para outros mercados africanos que tenham o francês como língua oficial. No mesmo sentido deverá também seguir a retalhista britânica Tesco, que finalmente deverá entrar na África do Sul, um dos cinco países africanos identificados pela Deloitte e pelo Planet Retail como estando no leque dos dez novos mercados que mais provavelmente irão atrair as retalhistas internacionais nos próximos anos. Além da África do Sul as duas consultoras identificam ainda a Argélia, Quénia, Marrocos e Nigéria. “Todos estes países apresentam economias com elevado crescimento, populações jovens e em desenvolvimento e com os sectores de retalho fragmentados”, lê-se no referido documento “Heróis escondidos”.
John McCarvel, presidente da distribuidora de calçado Crocs, revelou à Reuters que África era uma região atractiva e com potencial para a empresa, e não apenas pelo clima do continente ajudar a comercializar o calçado da Crocs. Todavia, McCarvel salientou que a Crocs ainda não fez um grande investimento na região por muitos mercados serem ainda de dimensões reduzidas e porque, no curto prazo, a empresa está focada em expandir-se para a Ásia e preocupada em colmatar o abrandamento na Europa.
Bem diferente tem sido a aposta da sul-africana Woolworths, a quarta maior retalhista do continente africano, que no final do ano passado apresentou um extenso plano de crescimento, que aponta para uma duplicação da sua presença no continente nos próximos três anos. “África é a última fronteira no retalho”, salientou John Fraser, um executivo da Woolworths.

Será mais um passo para a dinamização de um sector que tem sofrido uma verdadeira revolução nos últimos anos. E quando a concorrência aperta, os preços baixam e os consumidores agradecem.
Vai nascer em Viana num terreno de 100 hectares
e poderá gerar negócios
no valor de 2 mil milhões de dólares. O retail park já estreou.